Minda salva a vaga, mas não absolve o ataque do Atlético
O gol aos 49 premiou a insistência e evitou os pênaltis, mas 179 minutos de seca contra o Juventude deixam um alerta que a classificação não apaga.
5 de agosto de 2026

Foram necessários 179 minutos de futebol, dois jogos e uma boa dose de aflição até Alan Minda encontrar a fresta. Aos 49 do segundo tempo, quando a disputa por pênaltis já deixava de ser ameaça para virar roteiro, ele marcou o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Juventude e colocou o Atlético na próxima fase da Copa do Brasil.
Herói da vaga? Sem dúvida. Álibi para o restante do ataque? De jeito nenhum.
Minda salvou a classificação. O ataque ainda precisa salvar a própria reputação.
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Match Finished
O gol derradeiro premiou a insistência atleticana e evitou uma decisão que teria transformado a noite em teste cardiológico coletivo. Copa do Brasil tem dessas: o favorito empilha posse, expectativa e nervosismo; o azarão vai fechando portas, janelas e qualquer buraco na parede; o relógio, esse sujeito sem coração, acelera justamente para quem precisa marcar.
Minda apareceu quando mais importava. Não há necessidade de diminuir seu mérito para apontar o problema ao redor. Pelo contrário: o equatoriano teve personalidade para decidir uma eliminatória que caminhava perigosamente para as mãos — e as luvas — da loteria dos pênaltis.
Só que uma classificação tão dramática também pode ser uma cortina conveniente. Atrás dela estão os 179 minutos sem marcar contra um adversário da Série B. O Atlético passou em branco no primeiro confronto, em casa, e só rompeu a resistência do Juventude no último suspiro da volta.
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Match Finished
Gol aos 49 é êxtase para a torcida e cobrança para quem analisa.
O placar agregado de 1 a 0 serve perfeitamente ao regulamento. À ambição atleticana, serve muito pouco.

A vaga não transforma dificuldade em estratégia
Mata-mata não exige espetáculo. Exige sobrevivência. Isso é verdade e seria bobagem cobrar futebol de almanaque em toda eliminatória. Mas há uma distância considerável entre administrar um confronto e passar quase três horas sem conseguir marcar.
O Atlético vinha de resultados que sugeriam um time competitivo: venceu o Vasco por 1 a 0 fora, empatou por 1 a 1 com o Bahia e bateu o Palmeiras por 2 a 1 em São Paulo. Não se trata, portanto, de uma equipe incapaz de produzir gols ou de se impor longe de casa. É justamente por isso que a secura contra o Juventude incomoda tanto.
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Match Finished
O adversário também merecia respeito. Antes da eliminatória, o Juventude havia vencido Cuiabá por 2 a 0 e Avaí por 1 a 0 na Série B. Era um time com confiança para competir e um plano claro para tornar o confronto desconfortável. Ainda assim, havia sido derrotado por 4 a 2 pelo Botafogo-SP no mesmo recorte recente. Não era uma muralha medieval; tratá-lo assim seria transformar uma boa organização defensiva na Muralha da China com patrocínio na camisa.
O Atlético permitiu que o duelo ficasse exatamente onde o Juventude queria: apertado, nervoso e decidido em detalhe. Quando a diferença técnica existe, mas não aparece no placar, o favorito começa a jogar também contra a ansiedade. Cada minuto aumenta o peso do passe, a pressa da conclusão e o barulho da arquibancada — mesmo fora de casa, porque a torcida atleticana sabe sofrer por telepatia.
Minda merece a foto; o setor ofensivo, a reunião
É tentador encerrar a análise na explosão do gol. Futebol vive desses instantes e seria desumano pedir sobriedade a quem esperou até os 49. Minda correu para a celebração carregando a vaga, o alívio e provavelmente a pressão arterial de metade de Minas Gerais.
Mas a comissão técnica não pode assistir à classificação com os mesmos olhos da torcida. O torcedor tem direito de comemorar até esquecer os defeitos. Quem trabalha no clube precisa comemorar olhando para eles.
O maior erro do Atlético seria confundir alívio com evolução.
O problema não está em vencer por 1 a 0. O problema está em depender do último lance para marcar o primeiro gol de uma eliminatória contra um oponente de divisão inferior. Em fases mais pesadas, contra equipes capazes de punir qualquer desorganização e controlar melhor o relógio, talvez a tal fresta não apareça.
Há também uma cobrança inevitável sobre os homens encarregados de decidir. Quando um time passa tanto tempo sem balançar a rede, a responsabilidade não pode ser jogada apenas na conta da defesa adversária, do gramado, da tensão do mata-mata ou de Mercúrio retrógrado. Atacante de clube com pretensão grande precisa resolver partidas fechadas. Está no contrato invisível da função.
Minda fez isso.
Os demais ficaram devendo.
Classificado, sim. Absolvido, não
A Copa do Brasil não distribui pontos por beleza nem exige pedido de desculpas pela vitória. O Atlético está na próxima fase porque insistiu até o fim e teve em Minda o jogador capaz de transformar um confronto travado em uma noite memorável. Isso importa — e muito.
Só não apaga o aviso deixado pelos dois jogos. A classificação deve fortalecer o elenco, não anestesiá-lo. Se o gol no apagar das luzes virar argumento para fingir que a produção ofensiva foi suficiente, o clube estará comemorando a fuga enquanto deixa a porta do problema aberta.
Heróis resolvem uma noite; times bem ajustados evitam precisar de um herói toda noite.
Alan Minda saiu como dono da vaga, com justiça. Agora cabe ao Atlético garantir que o lance aos 49 seja lembrado como demonstração de persistência — e não como o instante em que uma deficiência ofensiva quase foi escondida pelo barulho da comemoração.
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