Viveros fez R$ 27,5 milhões parecer barato: o Athletico comprou gol, não grife

Com 18 gols em 26 jogos, Viveros transformou a maior compra do Athletico em lição: dinheiro bem gasto nasce de convicção, encaixe e visão de mercado.

13 de setembro de 2026

Dirigente do Athletico compra um carrinho cheio de bolas enquanto outros dirigentes carregam sacolas vazias de uma boutique.

O preço perdeu a discussão.

Cena um. Couto Pereira, clássico amarrado nos nervos e uma bola na marca da cal. Aos 17 minutos do segundo tempo, Kevin Viveros cobra o pênalti e marca no empate por 3 a 3 entre Coritiba e Athletico. Era o 18º gol dele em 26 partidas no Brasileirão de 2026. Não apenas mais um número: era a confirmação de que a temporada rubro-negra tinha um dono na área.

Gol não lê etiqueta; reconhece contexto.

Depois do Athletiba, o Athletico aparecia em terceiro, com 46 pontos, e seu centroavante ainda tinha 11 rodadas para aumentar a conta. Em um time que vinha de dois empates por 3 a 3 nos três jogos anteriores, ter alguém capaz de transformar pressão em gol não é luxo. É patrimônio esportivo.

Cena dois. Junho de 2025, uma mesa de negociação e um valor que fez muita sobrancelha subir: US$ 5 milhões, cerca de R$ 27,5 milhões na cotação da época. Viveros chegava do Atlético Nacional como a contratação mais cara da história do Athletico, acima dos R$ 24 milhões investidos em Vitor Roque.

O colombiano era pouco conhecido no Brasil, mas não havia sido escolhido por sorteio. Antes da transferência, somava dez gols em 27 jogos pelo Atlético Nacional naquele ano, quatro deles na Libertadores. Odair Hellmann o indicou e explicou que o investimento considerava força, velocidade, potência e possibilidade de revenda.

“E se ele entregar os gols que entregou no Atlético Nacional, o que que é caro no futebol?”, perguntou Odair antes da estreia.

Odair Hellmann monta um jogador com peças de atributos diante de um placar de 18 gols em 26 jogos.

A pergunta envelheceu muito melhor do que boa parte das contratações feitas por clubes mais ricos. Há diretor que compra sobrenome como quem escolhe vinho pelo rótulo — e depois faz pose de sommelier enquanto serve vinagre à torcida.

Responsabilidade não é gastar pouco. É saber por que se gasta muito.

Cena três. Uma redação, uma estatística e uma correção às 10h25 de 13 de setembro. A informação inicial dizia que Viveros já era o maior artilheiro estrangeiro em uma temporada de estreia no Brasileirão. Não era: Acosta marcou 19 vezes pelo Náutico em 2007.

A correção não diminui o feito. Com 18 gols, Viveros superou os 17 de Luis Suárez pelo Grêmio em 2023 — e precisou de sete partidas a menos. Também igualou as marcas de Petkovic pelo Vasco em 2004, Calleri pelo São Paulo em 2022 e Arrascaeta pelo Flamengo em 2025. O recorde absoluto de um estrangeiro numa edição segue com Germán Cano, autor de 26 gols pelo Fluminense em 2022.

No Athletico, a escalada já é histórica: são 29 gols, um a mais que Joffre Guerrón, o que coloca Viveros como o terceiro maior artilheiro estrangeiro do clube.

As três cenas — a cobrança no Couto, a aposta na mesa e a correção na redação — tratam da mesma coisa: valor. Viveros fez nove gols na Série B de 2025 e ajudou na campanha do acesso; na elite, respondeu com 18 em 26 jogos. Seu contrato vai até julho de 2028, preservando ao Athletico margem esportiva e potencial de mercado.

Não foi uma aventura cara que deu sorte. Foi convicção técnica, encaixe e visão de revenda recompensados pelo campo.

O Athletico não pagou R$ 27,5 milhões por uma grife. Comprou gol — e recebeu troco.