O VAR levou 9min56s; o Flamengo, seis para jogar dois pontos fora
A CBF deve explicar a demora recorde na Vila. Mas Daronco não apaga o colapso do líder, que abriu 2 a 0 e entregou o empate em seis minutos.
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9 minutos e 56 segundos. Tempo suficiente para a indignação ferver, esfriar e voltar a ferver. Foi quanto durou a paralisação entre a marcação inicial de Anderson Daronco e a cobrança de Neymar na Vila Belmiro — a maior já registrada no Brasileirão desde a chegada do VAR, em 2019.
Aos 26 minutos do segundo tempo, Rossi acionou Jorginho. Pressionado por Rony, o volante caiu e tocou a bola com a mão sobre a linha da grande área. Daronco marcou falta fora e deu amarelo. Rodolpho Toski Marques levou 4min36s para recomendar a revisão; o árbitro gastou outros 2min14s entre o chamado ao monitor e o anúncio da mudança para pênalti e vermelho. Mais 3min06s se passaram até Neymar cobrar.
O recorde anterior, de 8min24s, havia ocorrido na expulsão de Alan Ruschel em Juventude 0 x 1 Cruzeiro, na última rodada do Brasileiro de 2024. Não era uma marca que alguém estivesse ansioso para superar.
A CBF deve divulgar o áudio e explicar por que uma decisão levou quase dez minutos para ser construída.
A regra dá vermelho quando uma mão deliberada impede gol ou oportunidade clara; se o toque não for deliberado e houver pênalti, fica o amarelo. A súmula registrou que Jorginho tocou deliberadamente na bola e impediu uma oportunidade clara. O caminho foi torto, a demora foi indefensável e a gestão da cena, desastrosa. A decisão, porém, foi correta. O próprio Leonardo Jardim foi direto sobre as penalidades: “As duas decisões contra nós foram acertadas.”
É aqui que o filme precisa voltar um pouco.
Danilo marcou aos 43 minutos do primeiro tempo. Lucas Paquetá ampliou aos 48. O Flamengo foi para o intervalo vencendo por 2 a 0 e com o jogo na mão — mas resolveu carregá-lo como um garçom correndo por uma arquibancada com uma bandeja cheia. Era questão de tempo até os pratos voarem.

A saída curta que terminou no lance de Jorginho não foi apenas um acidente técnico. Foi uma escolha ruim para aquele momento. Jardim reconheceu que o jogo foi mal gerido e que sua equipe poderia ter abandonado a construção arriscada para jogar diretamente ao ataque. Até Jorginho, embora tenha acusado Daronco de criar “o pior cenário possível”, admitiu que faltou maturidade para dar um chutão.
Chutão não ganha prêmio de estética. Às vezes, ganha campeonato.
Neymar converteu o primeiro pênalti aos 36. Poucos minutos depois da expulsão, Luiz Araújo cometeu outra penalidade, agora sobre Gabigol. Neymar cobrou aos 42 e fechou o 2 a 2, levando o mérito de quem aproveitou as duas chances sem hesitar. Em seis minutos, o líder transformou controle em pânico e vantagem em arrependimento.
Dez minutos de VAR explicam a revolta; seis minutos de Flamengo explicam o empate.
Transformar Daronco no único culpado seria oferecer ao Flamengo um álibi confortável demais. A arbitragem é culpada pela lentidão recorde. O empate, porém, está na conta do Flamengo: saída imprudente, perda de serenidade e um segundo pênalti evitável.

Os dois pontos desperdiçados mantiveram o Flamengo na liderança, com 61, mas o Palmeiras chegou a 60 ao vencer o Bahia por 1 a 0, com gol de cabeça de Flaco López aos sete minutos. Em 11 de outubro, às 17h30, o líder recebe o Fluminense no Maracanã, enquanto o perseguidor enfrenta o Corinthians.
No clássico, se a casa voltar a pegar fogo, apontar para o árbitro não servirá de extintor.
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