R$ 105 milhões não caíram do céu: Bap apostou o orçamento do Flamengo

A eliminação apenas expôs a aposta: metas esportivas agressivas, R$ 250 milhões em vendas e R$ 315,7 milhões por Paquetá. A conta é de Bap.

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Bap aposta uma ficha de R$ 315,7 milhões em uma roleta com metas esportivas, vendas e premiações.

Vai mesmo colocar R$ 105 milhões nas costas de três cobradores de pênalti?

É a pergunta incômoda — e necessária — depois de Fernando Muslera defender as batidas de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique. O Flamengo empatou por 0 a 0 com o Estudiantes no Maracanã, em 22 de outubro, repetiu o placar da ida em La Plata e caiu por 3 a 2 nos pênaltis. A marca da cal virou o endereço perfeito para a caça aos culpados.

Pênalti perdido explica uma eliminação. Não explica um orçamento.

Três jogadores estão sob uma lupa no pênalti enquanto dirigentes escondem documentos financeiros atrás de uma cortina.

Os R$ 105 milhões não desapareceram naquela noite. A conta publicada reúne R$ 9,5 milhões de diferença nas premiações dos vices da Recopa e da Supercopa, R$ 16 milhões em cotas não recebidas na Copa do Brasil, cerca de R$ 12 milhões de bilheteria bruta projetada e R$ 68 milhões atribuídos à venda frustrada de Gonzalo Plata.

Portanto, o problema já vinha sendo cozinhado. E com o fogo alto. O orçamento previa o Flamengo chegando, no mínimo, à semifinal da Copa do Brasil. O time caiu diante do Vitória ainda na quinta fase. Também projetava aproximadamente R$ 250 milhões em vendas, mas, sem Plata, havia arrecadado R$ 114,4 milhões com transferências.

A negociação com o Dínamo Moscou previa € 10 milhões à vista — aproximadamente R$ 60 milhões — além de bônus. O clube russo desistiu após reprovar Plata nos exames médicos por uma tendinite no joelho direito, diagnóstico contestado pelo Flamengo. Houve azar? Claro. Mas planejar contando que tudo dará certo é montar o churrasco com o dinheiro de um bolão que ainda nem foi sorteado.

Receita incerta não é dinheiro no banco. É esperança usando gravata.

Foi nesse cenário que a gestão de Bap comprometeu R$ 315,669 milhões com Lucas Paquetá: R$ 299,059 milhões em direitos e luvas, mais R$ 16,610 milhões de intermediação. Paquetá pode decidir jogos, campeonatos e noites enormes. O que ele não pode é ser transformado em desculpa para a arquitetura financeira escolhida por quem manda no clube.

A eliminação para o Estudiantes apenas fechou a última janela esportiva capaz de aliviar o quadro com premiação. E há um detalhe importante: os quatro itens dos R$ 105 milhões nem incluem os cerca de R$ 35 milhões reservados ao vice da Libertadores. O campeão receberá aproximadamente R$ 125 milhões. Era dinheiro possível, não garantido — exatamente a distinção que a diretoria parece ter tratado com intimidade excessiva.

Isso não significa falência. Ao fim de junho, o Flamengo tinha R$ 127,8 milhões em caixa livre consolidado, patamar que o próprio clube classificou como seguro para manter a operação, embora fosse R$ 63,9 milhões inferior ao do encerramento de 2025. O primeiro semestre terminou com déficit de R$ 33 milhões.

O Flamengo não está quebrado. A explicação da diretoria, porém, está vencida.

Cofre rubro-negro de R$ 127,8 milhões aparece ao lado de uma máquina que conta receitas projetadas como dinheiro.

Agora a bola anda. O Flamengo lidera o Brasileirão com 67 pontos em 31 jogos, apenas um à frente do Palmeiras. Em 26 de outubro, às 20h, recebe o Atlético-MG no Maracanã, pela 32ª rodada. Ganhar será vital para o campeonato — e ótimo para esfriar a crise.

Mas nem uma vitória apaga a assinatura: a conta dos pênaltis é dos jogadores; a conta de R$ 315,7 milhões, das metas agressivas e das vendas tratadas como certas é de Bap.

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