135 minutos depois, a coxa cobrou: Ancelotti errou ao repetir Raphinha

Ancelotti mudou sete peças, mas repetiu justamente Raphinha. Após 135 minutos em quatro dias, o craque voltou a Barcelona com edema na coxa direita.

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Ancelotti mantém a alavanca de Raphinha acionada enquanto um painel marca 135 minutos e alerta de desgaste na coxa.

Precisava mesmo colocar Raphinha outra vez, quatro dias depois de 90 minutos, para descobrir que ele é titular da Seleção?

Essa é a pergunta incômoda que desmonta qualquer tentativa de tratar o edema na coxa direita como mero azar. Carlo Ancelotti mudou sete jogadores entre os dois amistosos contra a Austrália, mas preservou justamente quem menos precisava prestar vestibular. O atacante chegou à Data Fifa depois de participar dos oito primeiros jogos oficiais do Barcelona em 2026/27 e marcar 14 gols. Em 20 de setembro, o próprio clube informou: ninguém em sua história havia começado uma temporada com tantos gols nesse recorte.

O melhor jogador não precisa jogar sempre; precisa estar inteiro quando joga.

Em 25 de setembro, Raphinha disputou os 90 minutos do empate por 1 a 1 em Townsville. Ainda cobrou, aos 49 do segundo tempo, o escanteio que terminou no gol de cabeça de Rayan. Missão cumprida, atuação até o último suspiro e nenhuma dúvida razoável sobre sua importância. Quatro dias depois, porém, lá estava ele novamente entre os titulares em Brisbane.

Rodízio que poupa sete e expõe o oitavo não é rodízio. É contradição.

Ancelotti libera um carro identificado como Raphinha com pneu gasto após trocar outros sete veículos.

Raphinha marcou de pênalti aos 44 minutos do primeiro tempo na vitória por 4 a 2, mas não voltou do intervalo: sentiu a parte posterior da coxa direita. O exame realizado em 30 de setembro constatou um pequeno edema muscular. Somados, foram 135 minutos contra o mesmo adversário em quatro dias. Craque não é cafeteira de hotel, que precisa ficar ligado o tempo inteiro só porque alguém pode aparecer querendo serviço.

A CBF o liberou por precaução e nem convocou substituto para o amistoso contra a Índia. Isso também ajuda a dimensionar o erro: se era possível seguir a preparação sem reposição, era perfeitamente possível administrar Raphinha antes de a coxa cobrar a conta.

Joan Laporta reagiu dizendo: “Não estamos felizes com isso. Já aconteceu com outros, e esse é o risco dessas paradas tão longas”. A preocupação é legítima; a pose de vítima exclusiva, nem tanto. O Barcelona havia utilizado Raphinha nos oito primeiros jogos oficiais da temporada. Não dá para exigir o atacante sem intervalo no clube e depois descobrir subitamente as virtudes do repouso quando ele veste amarelo.

A indignação de Laporta é oportunista, mas não absolve Ancelotti.

Havia ainda um alerta impossível de ignorar. Em 27 de março, o Barcelona anunciara uma lesão de Raphinha na musculatura posterior da mesma coxa direita, sofrida no amistoso entre Brasil e França, com previsão de cinco semanas de recuperação. Isso não transforma todo desconforto em recaída automática, claro. Transforma, sim, a gestão de minutos em obrigação básica.

Raphinha chegou a Barcelona em 1º de outubro e fará novos exames no dia 2. Sua presença contra o Getafe, em 10 de outubro, depende dos resultados. Enquanto isso, Brasil e Índia jogarão em 3 de outubro, às 11h de Brasília, em Calcutá, no primeiro encontro entre as seleções principais dos dois países — e a Seleção seguirá sem ele.

Raphinha não tinha nada a provar; Ancelotti tinha um desgaste a administrar — e falhou.

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