Corinthians venceu tarde demais: a classificação ficou no Beira-Rio
O 2 a 1 em Itaquera não consola: Diniz corrigiu o time na volta, mas o Corinthians já havia entregado ao Inter a vaga e a defesa do título.
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Vencer por 2 a 1 e sair eliminado é uma dessas crueldades que o futebol serve sem guardanapo. O Corinthians fez em Itaquera o que se esperava dele desde o primeiro minuto do confronto: competiu, incomodou, mostrou coragem e encontrou maneiras de ferir o Internacional. O problema é que acordou quatro dias atrasado.
No placar agregado, 3 a 2 para o Inter. Nas quartas de final da Copa do Brasil, estará o time gaúcho. Ao atual campeão, resta uma vitória incapaz de defender o título — útil para a autoestima, talvez, mas completamente inútil para a tabela.
O Corinthians não foi eliminado em Itaquera. Foi eliminado quando aceitou não jogar no Beira-Rio.
Diniz corrigiu o time, não o estrago
Fernando Diniz merece crédito pela resposta na partida de volta. O Corinthians teve outra atitude, assumiu riscos e não tratou a bola como se ela tivesse vindo com cobrança judicial anexada. Houve mais iniciativa e menos submissão. Era o mínimo? Sim. Mas nem sempre o mínimo aparece quando a pressão aperta o pescoço.
A vitória mostrou que o confronto era jogável. E justamente por isso a eliminação dói mais.
O Internacional não chegou à Copa do Brasil atravessando uma fase irresistível. Antes dos dois jogos contra o Corinthians, havia perdido para Cruzeiro e Athletico Paranaense e empatado com o Flamengo pelo Brasileirão. Não era uma muralha. Não era um esquadrão inalcançável. Ainda assim, o Timão permitiu que parecesse tudo isso no primeiro encontro.
Diniz conseguiu fazer o motor funcionar na volta, mas o carro já estava com as duas rodas dentro do buraco. Acelerar depois disso produz barulho, fumaça e uma bela história para a oficina — não uma classificação.

A mudança de postura em Itaquera também expõe o maior erro do duelo: o Corinthians escolheu tarde demais acreditar que podia atacar o adversário. Não faltou apenas eficiência no Beira-Rio. Faltou ambição. Em mata-mata, entregar território e iniciativa esperando sobreviver é como entrar numa roda de samba carregando um triângulo e achar que ninguém perceberá o atraso.
Quem precisa de uma remontada já começou a perder antes de a remontada começar.
O pecado original foi o 2 a 0
O resultado da ida condicionou tudo. Com a derrota por 2 a 0 em Porto Alegre, o Corinthians desembarcou na volta obrigado a disputar dois jogos ao mesmo tempo: um contra o Internacional e outro contra o relógio. Cada passe lateral pesava. Cada ataque desperdiçado fazia a arquibancada olhar para o cronômetro. Cada avanço colorado lembrava que um gol visitante tornaria a missão ainda mais ingrata.
Não se trata de diminuir a competência do Inter. O time gaúcho entendeu a eliminatória melhor. Construiu a vantagem em casa e chegou a São Paulo sabendo que não precisava transformar a partida numa aventura. Mata-mata também é gestão de cenário, e o Colorado administrou o patrimônio conquistado no Beira-Rio até carimbar a vaga.
O Corinthians, por outro lado, pagou pela própria hesitação. Havia sinais recentes de uma equipe pouco fluida: depois do 3 a 0 sobre o Remo, vieram o empate por 1 a 1 com o Bahia e o 0 a 0 diante do Athletico Paranaense. O ataque já vinha alternando bons momentos com longos períodos de silêncio. Contra o Inter, esse silêncio apareceu na noite em que não poderia aparecer.
Eis a armadilha do 2 a 1: o placar da volta permite aplauso, orgulho e até a sensação de reação. Tudo isso é legítimo. Nada disso muda o essencial.
Vitória que não altera o destino é lembrança; classificação é patrimônio.
A torcida fez sua parte. O time, pela metade
Itaquera empurrou porque Itaquera sempre acredita que o impossível pode ser constrangido no grito. O Corinthians respondeu melhor do que havia respondido em Porto Alegre e venceu uma partida pesada. Só que mata-mata não premia a melhor noite isolada. Premia quem entende os 180 minutos.
Essa eliminação não deve ser embrulhada como “queda honrosa”. Queda honrosa é rótulo confortável demais para um atual campeão que ofereceu ao adversário uma vantagem de dois gols na ida. O segundo jogo comprovou que havia capacidade de reação; não absolveu a apatia anterior.
Também seria preguiçoso transformar Diniz no único culpado. Ele tem responsabilidade pelo conjunto da obra, claro, mas corrigiu a equipe na volta e entregou uma atuação capaz de vencer. O verdadeiro culpado foi o Corinthians do Beira-Rio — tímido, passivo e desconectado da urgência que uma copa exige. Aquele time cavou a cova; o de Itaquera apenas chegou com a pá errada para tentar fechá-la.

Agora, Diniz precisa preservar o que funcionou na reação sem permitir que o 2 a 1 vire álibi. A vitória pode servir como ponto de partida para o Brasileirão, nunca como maquiagem para o fracasso na Copa do Brasil. O Corinthians defendia o título e tinha obrigação de tratar cada metade do confronto com a mesma fome.
O Internacional segue adiante porque soube usar a primeira partida para decidir a segunda. O Corinthians sai porque precisou enxergar o abismo para começar a correr.
No mata-mata, o despertador não pode tocar quando o trem já deixou a estação.
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