Raphinha virou camisa 9 — Ancelotti não pode mandá-lo de volta para o acostamento

Flick aproximou Raphinha do gol e ganhou o artilheiro de LaLiga. Na Seleção, Ancelotti precisa testá-lo por dentro, não exilá-lo na lateral.

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Raphinha dirige um carro com bolas rumo ao gol, enquanto Flick abre a pista central e Ancelotti aponta um desvio para a lateral.

Carlo Ancelotti deve testar Raphinha por dentro nos próximos amistosos — qualquer outro plano será mandar o artilheiro de LaLiga de volta ao acostamento justamente quando ele aprendeu a dominar a faixa central. Hansi Flick já entregou o mapa: aproximou o brasileiro do gol, deu-lhe função de referência e recebeu em troca uma avalanche.

Raphinha não virou outro jogador; apenas deixou de jogar longe demais do lugar onde decide.

O retrato mais recente veio no Ramón Sánchez-Pizjuán. O Sevilla abriu o placar com Youssouf Fofana, aos 19 minutos, e teve exatos três minutos para acreditar que a estrada estava livre. Raphinha empatou aos 22, marcou novamente aos 52 e fechou a vitória do Barcelona por 3 a 1 aos 69. Fez todos os gols da virada — e cada um por uma rota diferente: chute colocado, cabeçada e cavadinha sobre Odysseas Vlachodimos.

Raphinha é representado como um canivete com três tipos de finalização diante de uma caixa marcada como ponta.

Não foi um clarão isolado. Quatro dias antes, Raphinha já havia feito três gols na vitória por 7 a 2 sobre o Racing Santander. São seis gols e dois hat-tricks nesse intervalo. Em LaLiga, a conta depois de sete rodadas chega a 12 gols e três assistências. Foram 555 minutos e apenas 19 finalizações para construir a artilharia do campeonato. Três gols saíram de pênalti; nove, com bola rolando.

O Barcelona venceu seus sete primeiros jogos. Raphinha marcou 12 vezes. Não é uma boa fase passando no radar — é um sujeito avançando com farol alto.

O maior desperdício seria olhar para esses números e enxergar apenas um ponta.

Flick entendeu isso após a saída de Robert Lewandowski. Em vez de manter Raphinha restrito ao corredor, transformou-o na referência central do ataque. Não significa que o brasileiro precise ficar plantado entre os zagueiros, esperando cruzamento como quem aguarda ônibus atrasado. Significa começar perto da área, atacar o gol e aparecer onde uma finalização pode mudar a partida.

Mandá-lo viver colado à lateral agora seria usar um carro de corrida para sinalizar obra na pista.

A própria diretoria do Barcelona já se movimenta como quem percebeu o tamanho do patrimônio. Em 19 de setembro, Deco anunciou na assembleia geral do clube que o acordo para ampliar o contrato de Raphinha até 30 de junho de 2030 está encaminhado. Não é favor, prêmio sentimental ou lembrança pelos serviços prestados. É consequência esportiva.

Ancelotti o incluiu entre os 26 convocados para os primeiros amistosos da Seleção após a Copa do Mundo de 2026. Raphinha é um dos nove jogadores daquele Mundial preservados no início do novo ciclo. Ótimo. Mas convocar o atacante mais letal deste começo de temporada e devolvê-lo automaticamente à ponta seria carregar o GPS no bolso e perguntar o caminho pela janela.

Raphinha aparece como uma peça de camisa 9 em um tabuleiro, enquanto Ancelotti tenta levá-lo à lateral e Flick corta a corda.

Há tempo e adversários para experimentar. O Brasil enfrenta a Austrália em 25 de setembro, às 7h de Brasília, em Townsville, e volta a encará-la no dia 29, no mesmo horário, em Brisbane. Depois, joga contra a Índia em 3 de outubro, às 11h, em Calcutá. Amistoso serve para isso: testar caminhos antes que a estrada cobre pedágio.

Ancelotti não precisa copiar Flick lance por lance. Precisa copiar a coragem de abandonar uma etiqueta antiga. Raphinha pode circular, cair pelos lados e pressionar por fora — desde que seu ponto de partida não o exile do gol.

Artilheiro na pista central não se manda para o acostamento.

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